Você já pensou sobre o que realmente te dá energia para sair da cama, pensar melhor ou encarar uma rotina puxada? A resposta está na glicose, o combustível essencial que mantém nosso corpo e mente em pleno funcionamento 1.
Mas, apesar de ser fundamental, essa substância costuma ser mal compreendida. Afinal, muita gente ouve por aí que deve cortar açúcares e carboidratos da alimentação, sem saber que essa atitude pode impactar diretamente o equilíbrio do organismo 1.
Ou seja, a questão não é eliminar, mas entender quais fontes de energia são aliadas da saúde e como manter os níveis sob controle para evitar tanto a falta quanto o excesso 1, 2.
Neste guia completo, descubra os riscos da hipo e da hiperglicemia e aprenda a cuidar melhor do seu corpo por meio da alimentação, da atividade física e de escolhas inteligentes no dia a dia.
Nos parágrafos a seguir, entenda como o carboidrato vira açúcar no sangue, quando a glicose é considerada baixa, como aumentar a glicose e como identificar os sintomas de alterações nos níveis dessa substância.
Aproveite a leitura!
Resumo
- A glicose é a principal fonte de energia do corpo, essencial para o funcionamento das células, tecidos e órgãos 1.
- Os níveis normais em jejum variam entre 70 e 99 mg/dL. Acima disso, podem indicar intolerância ou diabetes 3.
- A hipoglicemia (quando a glicose é considerada baixa) pode causar tremores, tontura, confusão mental e até desmaios 3.
- A hiperglicemia pode gerar sede excessiva, visão embaçada, fraqueza e, em casos graves, problemas cardíacos e renais ³.
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O que é glicose?
Também chamada de glucose ou dextrose, é um carboidrato essencial para o funcionamento do organismo. Durante a digestão, moléculas maiores são quebradas em partes menores, liberando energia para as células. Esse processo sustenta funções vitais, ajuda a manter o equilíbrio do corpo e contribui para a manutenção da saúde ¹.
Você não precisa comer açúcar simples, muito encontrado em alimentos doces, para obtê-la. Isso porque o corpo consegue produzir esse carboidrato simples a partir do glicogênio, substância armazenada principalmente no fígado e, em baixa quantidade, nos músculos ¹.
Os tipos de açúcares
Existem dois tipos de açúcares: o simples, como glicose e frutose, e o complexo, como sacarose e lactose, que precisam ser transformados em açúcar simples para o corpo absorvê-lo ².
Qual é a importância da glicose para a saúde?
É a principal fonte de energia e desempenha papel essencial no funcionamento das células, tecidos e órgãos. A substância abastece processos vitais, como atividade cerebral, contração muscular e metabolismo. Quando a glicose é considerada baixa ou muito alta, o corpo pode apresentar fadiga, fraqueza e prejuízos às suas funções. 1, 2
Pensa só: você consegue se levantar da cama se estiver sem comer há muito tempo? Tem disposição para fazer algum tipo de atividade? Pois é, nem o seu organismo. 1, 2
Entre os muitos benefícios para a saúde humana, citamos os principais abaixo.
Fonte de energia do corpo
Ao ser absorvido pelo organismo, esse açúcar simples é convertido em energia utilizável para cada célula ².
Resposta insulínica
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que atua no controle do nível de açúcar no sangue de duas formas ²:
- quando há glucose no sangue, o pâncreas é estimulado para sintetizar insulina;
- a insulina auxilia no transporte da glucose para dentro das células.
Logo, se não houver produção adequada de insulina ou algum distúrbio que torne o corpo resistente a esse hormônio, há aumento expressivo de açúcar no sangue ².
Reserva de energia
Ao entrar nas células, o açúcar simples é transformado em energia que pode ser usada imediatamente pelo corpo ou então armazenada como gordura ou glicogênio ².
Produção de ATP
A glucose contribui para a produção de ATP (adenosina trifosfato), molécula responsável por armazenar e liberar energia para as células. Esse processo é essencial para manter o metabolismo ativo e garantir o funcionamento adequado das atividades celulares e do organismo ¹.
Função cerebral e sobre neurotransmissores
O metabolismo de absorção e conversão da glucose gera energia para o funcionamento do cérebro por meio da produção de ATP e também gera neurotransmissores ¹.
Em um adulto, a maior demanda energética é causada pelos neurônios, já que a glucose é praticamente a única substância que fornece energia às células nervosas. Enquanto os demais tecidos podem obter energia de outras formas, como gorduras e proteínas ¹.
O cérebro representa menos de 2% do peso do corpo, mas pode gastar até 20% de toda a energia do organismo proveniente da glucose ¹.
Como o carboidrato vira açúcar no sangue?
Quando consumimos alimentos ricos em carboidratos, como pão, arroz ou massas, o sistema digestivo quebra essas moléculas em partes menores até transformá-las em glucose. Esse açúcar é absorvido pelo intestino e levado para a corrente sanguínea, na qual circula pelo corpo como fonte de energia disponível para as células ¹.
Por exemplo, ao comer uma banana antes de uma caminhada, os carboidratos da fruta são convertidos em glucose durante a digestão. Em seguida, a insulina ajuda esse açúcar a entrar nas células, especialmente musculares, para produzir energia ¹.
Quando sobra glucose no sangue, uma parte fica armazenada no fígado para uso posterior ¹.
Qual é o nível de glicose normal?
A seguinte tabela pode te orientar: ³
|
Exame |
Resultado |
Interpretação |
|
Glicemia de jejum |
70 a 99 mg/dL |
Nível considerado normal em adultos saudáveis. |
|
Glicemia de jejum |
100 a 125 mg/dL |
Indica intolerância à glicose. |
|
Glicemia de jejum |
Acima de 126 mg/dL |
Pode indicar diabetes. |
|
Glicemia pós-prandial (120 min) |
Até 140 mg/dL |
Resultado considerado normal. |
|
Glicemia pós-prandial (120 min) |
140 a 199 mg/dL |
Indica intolerância à glicose. |
|
Glicemia pós-prandial (120 min) |
Acima de 200 mg/dL |
Pode indicar diabetes. |
|
Glicemia pós-prandial (120 min) |
Abaixo de 70 mg/dL |
Caracteriza hipoglicemia. |
Quando a glicose é considerada baixa?
Quando está menor do que 50 mg/dL, condição que pode comprometer o fornecimento de energia para o organismo. Embora o carboidrato vire açúcar no sangue para abastecer as células, quantidades insuficientes podem causar sintomas, como fraqueza, tontura, sudorese e dificuldade de concentração ao longo do dia ³.
O nível de glicemia é muito medido por pessoas diabéticas, que precisam verificar os níveis de açúcar no sangue ao longo do dia para ajustar a quantidade de insulina aplicada antes das refeições ³.
Porém, caso haja algum desequilíbrio ou o consumo de carboidrato não seja adequado, é possível desenvolver a hipoglicemia (quando a glicose é considerada baixa) ou a hiperglicemia (alta concentração desse açúcar no sangue). Ambas são prejudiciais à saúde ¹.
Quais são os sintomas de glicose baixa e alta?
A tabela abaixo te ajuda a identificar os sinais comuns 1-3:
|
Condição |
Categoria |
Sintomas |
|
Hipoglicemia |
Sintomas físicos |
Aumento dos batimentos cardíacos, suor excessivo, tremores, tonturas, sensação de fome, fraqueza, palidez e dor de cabeça. |
|
Sintomas emocionais |
Nervosismo, irritabilidade, ansiedade e pesadelos. |
|
|
Hiperglicemia |
Sintomas iniciais e gerais |
Sede excessiva, boca seca, dor de cabeça, dificuldade de concentração, visão embaçada, perda de peso sem motivo aparente, urgência urinária, cansaço, fraqueza, dormências, cãibras e pernas pesadas e doloridas. |
|
Sintomas mais graves |
Inflamação crônica dos vasos sanguíneos e nervos, doenças cardiovasculares e cerebrais, como infarto e AVC, cegueira e insuficiência renal. |
O que pode causar a queda da glicose no sangue?
Uma alimentação inadequada ou o jejum prolongado podem levar à queda dos níveis energéticos no sangue. A hipoglicemia pode acontecer ainda após a prática excessiva de exercícios físicos, o consumo de determinados medicamentos, o exagero de bebidas alcoólicas ou depois de comer muitos carboidratos em uma única refeição ³.
Além disso, o diabetes é considerado uma causa da queda de moléculas de glicose no corpo, pois gera resistência à insulina. Apesar de a hiperglicemia ser o sintoma mais comum, a hipo também pode ser proveniente dessa doença ¹.
Como aumentar a glicose?
Uma forma rápida de corrigir a queda glicêmica é consumir carboidratos de absorção rápida, como mel, suco adoçado ou balas. Após a melhora dos sintomas, é importante fazer uma refeição equilibrada, com carboidratos e proteínas, para ajudar a manter os níveis estáveis e evitar quedas ao longo do dia ³.
Importante! Se a sua intenção é aumentar a glicose, saiba que não é recomendado consumir chocolates, biscoitos recheados e bebidas lácteas para essa finalidade. Isso porque esses alimentos não são facilmente absorvidos, além de conterem substâncias nocivas à saúde (como conservantes e gorduras saturadas) ³.
Caso as crises de hipoglicemia se tornem frequentes, é indicado procurar orientação médica para identificar as causas e determinar como aumentar a glicose com segurança ³.
O que pode causar hiperglicemia?
O aumento de açúcar no sangue costuma estar relacionado à baixa produção de insulina ou à dificuldade do organismo para utilizar esse hormônio corretamente. Além disso, consumo excessivo de carboidratos, sedentarismo, obesidade, estresse, infecções e uso inadequado de medicamentos para diabetes podem favorecer alterações nos níveis glicêmicos ².
Outros fatores que podem gerar hiperglicemia são ³:
- infecção (sepse);
- infarto agudo do miocárdio;
- COVID-19;
- hipertireoidismo;
- acromegalia (excesso de produção de hormônio de crescimento);
- síndrome de Cushing;
- alto consumo de alimentos ricos em carboidratos, como doces, produtos ultraprocessados e pães;
- sedentarismo;
- estresse;
- cirurgias;
- fatores biológicos, como distribuição da gordura no corpo, quantidade e qualidade do sono e período menstrual;
- alergias;
- doença celíaca;
- altitude;
- queimaduras na pele.
O que fazer para controlar a hiperglicemia?
Além de equilibrar o consumo de carboidratos, que viram açúcar no sangue, insira na alimentação fibras, proteínas, gorduras “boas”, vitaminas e minerais. Realizar atividade física regularmente também é uma das formas de não aumentar a glicose, pois os músculos absorvem esse nutriente mesmo com pouca insulina ³.
Outra recomendação é ajustar os medicamentos (conforme orientação profissional), caso interfiram no metabolismo da glucose. Assim, é possível adequar a dose e os horários de consumo ³.
Autocuidados
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o baixo consumo de açúcar livre, aquele adicionado a produtos processados. Segundo o órgão, seu consumo deve ser inferior a 10% da ingestão de calorias totais no dia ³.
Já o açúcar encontrado de forma natural em frutas, como a frutose, e a lactose presente no leite, pode ser consumido de forma balanceada ⁴.
Outra fonte são os suplementos alimentares compostos por grande quantidade de carboidratos, como a maltodextrina (MAL). Essa substância tem rápida absorção no organismo e alto nível glicêmico, elevando de forma mais ágil a concentração desse açúcar no sangue ⁴.
A maltodextrina é um tipo de amido com capacidade de aumentar a resposta glicêmica mais rapidamente do que outros tipos de carboidratos, como a dextrose. Por isso, costuma ser consumida por atletas que desejam manter as reservas de glicogênio antes, durante e depois dos exercícios, evitando a hipoglicemia ⁴.
E a rápida absorção acontece pelo fato de a maltodextrina não ser resistente ao processo de digestão, como outros tipos de carboidratos complexos ⁴.
FAQ - Perguntas frequentes sobre glicose
Glucose é açúcar?
Sim, do tipo simples, que encontramos naturalmente nos alimentos. Porém, o organismo também a produz a partir do glicogênio presente no fígado e nos músculos. É o principal tipo de açúcar no sangue e funciona como fonte de energia para todas as células do corpo 1, 2.
Qual a sua função no organismo?
A substância fornece energia para o funcionamento do corpo, regula os níveis de insulina, contribui para a produção de ATP e mantém as atividades cerebrais e neurológicas. O organismo também a armazena como reserva energética, o que é fundamental para que órgãos, tecidos e sistemas realizem suas funções corretamente 1, 2.
Qual nível é considerado normal?
Entre 70 e 99 mg/dL em jejum e até 140 mg/dL pós-prandial (duas horas após as refeições). Se os valores em jejum estiverem de 100 a 125 mg/dL, há intolerância ao açúcar; menos de 70 mg/dL, hipoglicemia; mais de 126 mg/dL pode indicar diabetes 3.
O que pode aumentar açúcar no sangue?
Diversos fatores podem contribuir, como alimentação rica em açúcares simples, sedentarismo, obesidade e diabetes. Como o carboidrato vira açúcar no sangue, excessos alimentares favorecem esse aumento. Estresse, noites mal dormidas, alterações hormonais, medicamentos, cirurgias, infecções e algumas doenças também podem interferir no controle glicêmico do organismo. 1, 2
O que acontece quando aumenta a glicose?
O excesso de moléculas de glucose no sangue pode provocar sede intensa, boca seca, dor de cabeça, visão embaçada, dificuldade de concentração, fraqueza e cansaço. Também podem surgir perda de peso sem explicação, dormências, câimbras, aumento da urina e sensação de pernas pesadas e doloridas ao longo do dia. 3
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Sobre o autor
Dr. Márcio de Queiroz Elias
Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamação, Reumatologia, Similares e genéricos.
4. Cardoso M, et al. Dextrose, Maltodextrina e Waxy Maize: principais diferenças na composição, mecanismo de ação e recomendações para o desempenho esportivo. CadUniFOA. 2017; 12(33):101-9.
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